Postado em: 2 de julho, 2020.
Desde 1991 que Kris Burm vinha lançando jogos de tabuleiro, mas foi em 1997 que criou Gipf, jogo que virou série de 6 jogos, todos eles premiados. O designer belga Kris Burm nasceu em 1957, na provincia belga de Antuérpia e hoje, aos 63 anos vive na cidade de Schilde. Depois do primeiro jogo, Burm desenvolveu os cinco outros jogos: Zèrtz, Dvonn, Yinsh, Pünct e Tzaar, que viraram o Projeto Gipf. Recentemente surgiu Lyngk, uma mistura dos jogos anteriores.
Os jogos da série Gipf têm uma peculiaridade: são compostos por tabuleiro de casas hexagonais e, em alguns jogos as casas são móveis, sendo colocadas na mesa para receberem as peças à medida em que a partida avança. Ao mesmo tempo em que as peças podem variar no seu formato e na maneira como são disponibilizadas lance a lance. O primeiro jogo, de nome Gipf e que deu origem à série é o mais elementar e de mais fácil jogabilidade.
A simplicidade de Gipf, o primeiro jogo que deu origem à série.
A sistemática do jogo Gipf é diferente porque um jogador é capaz de mover diversas peças de uma vez, alterando a configuração do tabuleiro, de modo que fica difícil prever o que vai acontecer mais adiante. Portanto, foge um pouco à ideia de desenvolvimento territorial e espacial que se estabelece previsivelmente em outros jogos.
No final desta matéria é possível baixar o tabuleiro desse primeiro jogo, Gipf que se encontra em PDF, juntamente com as regras e compor as peças com tampas ou botões para jogar com amigos e familiares.
Os demais jogos do premiado Projeto Gipf
O site Board Game Geek apresenta cada jogo do Projeto Gipf e disponibiliza links para aquisição deles em plataformas de compras. Vale salientar que vários desses jogos foram indicados seguidamente ao maior prêmio de jogos de tabuleiro da Alemanha, o Spiel des Jahres e praticamente todos eles ganharam prêmios importantes, entre eles, o Japão Boardgames para jogos estrangeiros, inclusive prêmios específicos para jogos de estratégias e abstratos para dois jogadores. A seguir, fizemos um resumo das apresentações para demonstrar a ideia por trás de cada jogo desse projeto.
Zèrtz
Após lançar o primeiro jogo, em 1997, Burm criou o jogo Tamsk que acabou sendo substituído por outro mais apropriado. Portanto, faz parte da lista como o segundo jogo oficial do Projeto, o Zèrtz, criado em 2000. Neste jogo os participantes confrontam-se para adquirir um conjunto de bolas coloridas ao saltarem por cima de uma ou mais delas, como ocorre em Damas. A peculiaridade aqui está no fato de que o jogador, na sua vez, pode pular ou colocar uma bola colorida em jogo para depois remover um espaço vazio da borda do tabuleiro. Isso faz com que o espaço do jogo comece a diminuir gradativamente e aos poucos se reduza demasiadamente, criando dificuldades para os jogadores.
Em Zèrtz, o tabuleiro surge na colocação das bases. Existem vários modelos do jogo.
No ano seguinte, em 2001, Burm criou o jogo Dvonn, desta vez com um tabuleiro alongado cheio de hexágonos, também para dois jogadores. São usadas 23 peças brancas em formato especial, chamado Dvonn, mais 23 peças pretas e 3 vermelhas. Diante do tabuleiro vazio, cada jogador vai colocando suas peças no tabuleiro, sem restrições de lugar. Primeiro são colocadas as peças Dvonn, seguindo-se as peças do jogador. Pode-se fazer empilhamento de peças umas sobre as outras, além de movimento de uma peça para um espaço ou uma pilha de duas peças para dois espaços e assim por diante.
Nesse caso dos movimentos, uma pilha precisa ser movida como um todo, contanto que a movimentação leve essa pilha para cima de outra pilha. Porém, se as peças ou pilhas não puderem mais fazer contato com as peças Dvonn, devem ser removidas do tabuleiro. O jogo termina quando não for mais possível executar nenhum movimento; nesse momento, cada jogador coloca suas pilhas umas sobre as outras e quem conseguir formar a maior pilha é o vencedor.
O tabuleiro de Dvonn é retangular e requer empilhamento de peças.
No ano de 2003 foi a vez de Kris Burm criar Yinsh, jogo no qual cada um dos dois jogadores começa com 5 peças em forma de anel, no tabuleiro. Na medida em que um anel é removido, em seu lugar é deixado um marcador de cores diferentes: preto de um lado e branco do outro. Sempre que um marcador for pulado por uma peça, é virado, invertendo-se para a cor de quem pulou. No decorrer da partida. Nesse caso, cada jogador deve procurar formar uma linha de 5 marcadores com sua própria cor virada para cima. Ao conseguir essa façanha, o jogador pode remover um de seus anéis como indicação de que formou a linha. Para vencer o jogo, o jogador deve remover três de seus anéis. Uma particularidade dinâmica do jogo: cada linha construída, ao mesmo tempo em que aproxima o jogador da vitória, torna-o mais fraco porque este ficou com um anel a menos para jogar.
Em Yinsh, anéis dão lugar a marcadores, tornando o jogo mais difícil.
Pünct
O objetivo desse jogo, lançado em 2005 é realizar uma conexão entre os dois lados opostos do tabuleiro. O jogador pode colocar uma nova peça em jogo ou tentar conectar as que já estão no tabuleiro. Cada peça cobre três hexágonos do tabuleiro e pode ser colocada ou empilhada de várias formas, de acordo com a geometria da placa que a sustenta. Considerado um jogo que exige habilidade do pensamento abstrato, tem o objetivo final de realizar conexões com as laterais do tabuleiro, inclusive ludibriando-se o oponente. Foi considerado o melhor jogo de estratégia abstrata de 2007 por revistas especializadas.
Cada peça cobre 3 hexágonos do tabuleiro de Pünct para formar conexões.
Tzaar
Esse jogo de Burm surgiu para substituir o segundo jogo da série, Tamsk, que pareceu não se encaixar com os demais por causa dos seus temporizadores de areia. Trata-se de um jogo sobre fazer escolhas e foi lançado em 2007. Ambos os jogadores têm 30 peças, divididas em 3 tipos: 6 Tzaars, 9 Tzarras e 15 Totts. Os 3 tipos de peças formam uma trindade: elas não podem existir uma sem a outra. O objetivo é fazer o oponente ficar sem um dos 3 tipos de peças ou colocá-lo em uma posição em que ele não possa mais fazer capturas. Existem escolhas a fazer nesse jogo: é melhor capturar a peça de um oponente, tornando-o mais fraco, ou é melhor pular para cima das próprias peças e se fortalecer? Caso um jogador escolha pular para cima de suas próprias peças o tempo todo, deixará seu oponente com muitas peças no tabuleiro. Por outro lado, se optar por capturar peças com muita frequência, pode terminar ficando com peças que não são fortes o suficiente para a parte final do jogo.
Tzaar: conjunto de peças cria uma trindade e nenhuma pode existir sem as outras
Lyngk foi o vencedor de prêmio especial do Spiel des Jahres na sua categoria, no ano de 2017 e consiste em uma reunião dos seis primeiros jogos do Projeto Gipf. O jogo é constituído por 48 peças em 6 cores, sendo todas elas neutras, ou seja, não pertencendo inicialmente a nenhum dos dois jogadores. Porém, durante a partida, cada jogador deve escolher 2 cores. O objetivo é construir 5 pilhas de peças de cores diferentes, contanto que a peça de cima seja de uma de suas cores escolhidas anteriormente. Nesse caso, em Lyingk é necessário usar táticas inteligentes de planejamento do futuro para gerir uma movimentação de peças de sua própria cor e vencer a partida com a construção das 5 pilhas.
O jogo Lyngk mistura os anteriores e requer a construção de pilhas de peças durante a partida
Acesse os links abaixo para saber mais sobre Kris Burm e seu Projeto Gipf:
Página do Projeto Gipf
Site de Kris Burm e sua ludografia
Plataforma Board Games Geek
Baixe o primeiro jogo do Projeto Gipf:
Tabuleiro do jogo Gipf